0 Pouco de Safira e Ramon.

A respiração forte de Ramon corrompia a pele de Safira, esta que sentia gelo nas costelas chegando ao estômago. Ramon encontrava-se incrivelmente estupendo e Safira não soube explicar mas deixou no ar que seu contemplar foi pelo quê de mistério que o tempo lhes provocaram. Ramon apresenta-se como rapaz decidido, malandro bom, de olhos de quem pensa muito, tem o sorriso que provoca súbita satisfação misturada com alívio e amor que soa intacto. 
Descobriram logo uma afinidade formidável em meia-hora em que conversaram no sofá sobre profissões, em duas horas em que jogaram cartas, e no caminho para casa. Estranhamente, pouco se conheciam. E quem sabe isso fosse sinal de que agora estavam dispostos a serem prediletos, com os gostos decorados e condecorados na ponta da língua dos dois.
Ramon tinha olhar que fitava Safira. Era perceptível como a companhia de ambos cheirava conforto e tinha suspiro leve de admiração. Concluía-se que fosse destino, prece atendida por Deus ou qualquer coisa que soasse com nobreza da alma e que perdurasse. 
A breve história que, antes, tiveram juntos, por uns anos, virou estórias ideológicas que propuseram a pensar no enorme tempo que se deram, mas que agora, dispostos à dar a cara tapa, vivem a sorte dessa reciprocidade sincera que não sabem ao certo o que é e que talvez seja só fogo de palha ou um romance açucarado…  
Existia saudade. Seus pensamentos simpatizavam-se, os passos alinhava-se, os sorrisos sossegavam-se. Possuíam imensa sede pelo outro, mas vinham serenos, a fim de não afogar. Vezes e outras, seus olhos se filmavam, assistiam, apreciavam, questionavam. 
Atraíram-se como um forte imã, sem hesitação. O rosto de Ramon encostou ao de Safira. As mãos do rapaz envolvia com cuidado a cintura da jovem, juntando-os mais e mais e mais… era como um gesto bondoso de quem diz: “Estou disposto a te proteger.” O que, de forma genuína, Safira aceitava agradecida.
Aspiravam forte contra a pele um do outro. Ramon sentiu o ombro envolto pelos braços da jovem, que num compasso apressado pôs as mãos frias próximas ao seu pescoço. Fitaram-se mais um vez e por um tempo absurdo. Queriam se ler, decorar seus jeitos, confusões, sorrisos, falas e truques. Entender, por alguma razão, do orgulho mesquinho causador daquela estranha urgência que os tomavam. 
Os olhos, então, descansaram com o encontro das pálpebras. E por um impulso afobado, beijaram-se. “Como sumimos assim? " Tinham as testas coladas, pressionadas com força uma contra outra. Ela quis explicar que não sumiram, já que há os suspiros fundos, os corpos eufóricos, os olhares intensos. Contudo, apenas sacudiu a cabeça e voltaram-se a se beijar…
Brenda Paolla in Desses romances bonitos
                             escrevo a história 
                             de 
Ramon e Safira. 
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